Putas

a-mulher-adulteraPutas. Quem são elas? São mulheres excepcionais, psicólogas, amantes e não amadas, desejadas e simultaneamente desprezadas. Vivem à margem sob o véu da noite, e quando de dia, todos já sabem pelo estigma que carrega, quem são elas: prestadora de um serviço de bem-estar. Odiadas e invejadas!

Putas. Quem são elas?  São mulheres que doam seus corpos a serviço do bem-estar de precisados e desalmados; de homens em crise, de crise conjugal, de crise consigo mesmo, joguetes de Eros. Escravos desse “amor” que lhe consome as vísceras e não se aquieta, enquanto não estiver saciado. Coitadinhos entregues nos braços de tão depravado amor, e que nos braços dessas mulheres sacerdotisas e serviçais, encontram sossego de corpo e alma por um instante. Que belo e contraditório serviço que a puta presta a humanidade! Quantos casamentos não salva?!!! Não são elas a des-fazer casamentos, e muito menos o real motivo para tal. Quando as procuram é porque algo já não está bem, elas são apenas e muitas vezes “psicólogas do amor amargo” E seu pagamento, é a exclusão e marginalidade social.

Putas. Quem são elas? São mulheres marginais porque estão a margem, e estão a margem por não serem aceitas e compreendidas naquilo que de melhor sabem fazer: amar afetivamente e efetivamente. E que espécie de amor é esse? Não é o sexual, muito menos seus delírios extasiantes, mas aquele amor altruísta que se aniquila para o bem-estar do outro. E o instrumento desse amor é o seu próprio corpo quente com o calor e as peripécias de Eros e suas fantasias sexuais. Desse “serviço” tira sua “sobrevivência” e da família a duras penas, pois até quem usa seu serviço é o primeiro a marginalizá-la não reconhecendo o bem que fez, pois, afinal, não passou de “compra” de um “produto”, de uma puta.

Putas. Quem são elas? São mulheres dignas, que tem sonhos, que ama de verdade com o mais puro genuíno amor o seu companheiro e seus “clientes” e que apesar do estigma que carrega são tão nobres quanto qualquer outra mulher. São mulheres que apesar do que faz tem sentimento, tem sonhos, tem amor e ama os seus de verdade. São “profissionais” não porque é seu estigma uma profissão; ou porque fazem tão bem o seu trabalho que se tornaram experientes; são profissionais porque foram relegadas ao último dos serviços pilar de uma sociedade hipócrita, que ano após ano faz circular milhões em cifras, alimentado os balcões das “empresas” logísticas desse tipo de serviço prestado a ricos e pobres. São profissionais porque não souberam ou não lhe deram oportunidade de construir na sociedade hipócrita uma outra e “mais digna” profissão.

Putas… amadas, odiadas, excluídas, invejadas, procuradas, traficadas, mercadoria, mas sobretudo, mulher… putas que são feridas pela máxima impostas sobre seus filhos “filhos da puta” que muitas vezes mesmo na exclusão são salvadores e quebra-galhos para quem tem preguiça de no dia a dia construir e preservar a vida desta nação, mulher guerreira, mulher livre a desafiar mesmo na calada da noite o sistema e a sociedade, mulher David que a cada dia vence um Golias; mulher prostituta e prostituída que deu agua de beber a Jesus; mulher pecadora perdoada e amada verdadeiramente pelo Senhor; mulher que precede as “mulheres” no Reino dos Céus.

Puta, a você nossa mais humilde reverencia, respeito e admiração. E no céu rogai por nós!

No mais…deixo à interpretação, à falação!

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Amar

amar_eAmar não é uma brincadeira, amar se aprende e se aprende amando. Leva tempo, é uma escola onde somos alunos e professores. O que nos determina a amar é a vontade que persiste dar um sentido à existência. Existimos para amar. E isso é um aprendizado longo que muito nos custa. O amor nos é benfazejo, mas também dói. Ninguém vive sem amar. Há amores e amores. Uns sadios outros doentes, mas são amores. Em suma, o amor é a veia pelo qual o sangue da existência e seu sentido nos dão sabor de viver.

                A lição de amar leva tempo, cedo ou tarde perceberemos e entenderemos o que é amar. É uma lição que muitas vezes se corrige com o tempo quando não assimilado e vivido em sua plenitude. Também nesse sentido, o amor precisa de lições de exemplos, pois só os exemplos podem ajudar a amar quando o amor está doente. O amor verdadeiro doa a vida mesmo a duras penas, porque encontra sentido onde razão e vontade não enxergam, e palavras não conseguem dizer, formular tal sentido e explicar, simplesmente faz e acontece.

                Para se saber amar se leva uma vida inteira. E um instante de amor vale por todo sacrifício vivido: mágoas, jogos de interesses, conflitos, dissabores ficam para trás. Ah! O que não nos proporciona o amor?!!! Amar faz o sol d’alma brilhar e cantar uma linda canção, formular e recitar um lindo poema contemplativo existencial.

                Amar é tão primordial quanto o dia que nasce. Amamos todo dia e o dia todo, é um exercício constante da vida. Não é por acaso que a Sagradas Escrituras declaram e afirma com toda solenidade que Deus é Amor. Sua essencialidade é amor e só no amor se pode ter uma experiência profunda de Deus.  O ato religioso é em segundo plano o êxtase da alma perante o amado amante, porque o amor vem primeiro. E o amor nos preenche medulas e ossos chegando ao clímax do prazer, um prazer sem igual, conseqüência de amar. Como é bom amar e sentir dele as energias benfazejas do bem. Amar é um ato tremendamente democrático e ecológico e nos conduz à eternidade da existência.

Se alguém já sentiu o que é amar e viu crescer em si a aventura do amor, é feliz por se dar, feliz por perdoar e ver no semelhante à imagem do próprio amor, porque só o amor preenche tudo e todos na longa estrada rumo à eternidade do próprio amor.

O exercício do amor é custoso, mas é um custoso que por um só bilionésimo de frações de segundos luz vale apena, pois nele, somos e nos movemos e encontramos nosso sentido de existir. Por si só, valem apena amar.

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Erros e Pecados

jardinCometemos muitos erros, é verdade. Mas, os erros que na vida cometemos os cometemos porque queríamos acertar, arriscando um caminho, uma opção, uma hipótese, construindo uma solução porque tínhamos a impressão de que acertaríamos; ou erramos por não saber, não conhecer e foi total inocência nossa; ou erramos porque fomos displicentes ou desejamos que fosse assim, por pura impulsividade sem medir as consequências de nossos atos. Erramos e erramos feio!

            Com o nosso erro aprendemos que todo ele tem consequências. Umas leves, outras graves e outras gravíssimas e outras que não tem volta, que não dá para consertar, e pagamos e saboreamos amargamente o preço por cometermos tal erro. O erro cometido pode nos fazer crescer, nos tornar maduros e experientes ou, pode nos lançar numa noite escura da alma. Uma noite que não tem ocaso e nem fim cujo fantasma nos persegue pelo resto da vida onde temos a duras penas aprender a viver com eles, pois não fomos destruídos. É um longo levantar das cinzas que deixa marcas que por vezes dói por vezes não, restando a lembrança de uma experiência que teima em vir à tona nos alertar para os riscos de se viver. Erros podem ser escola, prisão, ou portas para uma nova possibilidade. Cada uma, cada um de nós sabe onde os sapatos apertam.

            Deus não nos olha a partir do erro e nem nos condena por tal, mas a vida e a lei natural é implacável nas cobranças e não tem negociação. Conheço casos e casos. E não se trata de destino ou do famoso “tá escrito” ou “é carma” mas se trata de liberdade, de decisão tomada, pensada ou não.

            Com o erro vem a sensação de culpa, de frustração, de pequenez, de fragilidade e de cinismo perante suas consequências que nos acusa e não nos deixa em paz. E o cinismo é uma forma de proteção contra os que nos acusam. Muitas vezes um ‘cano de escapes” perante as consequências de nossas ações. Mas, no geral, de algum modo e sob duras penas, erros são consertáveis, perdoável.

            E o que dizer do pecado? Ele não é necessariamente um erro; pode se cometer um erro sem esse ser necessariamente um pecado; e pode se cometer um pecado sem que esse seja necessariamente um erro; há pecado que nasce de um erro ou a ele está ligado. Mas isso não implica que todo erro é pecado ou que todo pecado é um erro. Ambos podem ser distintos, e terem consequências diferentes em graus diversos um do outro. Depende de caso a caso. Muitas vezes e quase sempre, pecado nasce, cresce e aparece de uma outra ordem: da quebra da aliança com Deus. E isso para quem fez aliança com Deus. Eis um diferencial importante.

            Pecado é uma quebra da aliança com Deus. Logo, o pecado surge de uma relação de fé cujo sentido e significado só tem sentido para os que creem e vivem em aliança com Deus. Na linha tênue da existência de todas as coisas e seres, erro e pecado se encontra causando sérias consequências para todos e ninguém escapa de suas terríveis consequências, acreditando em Deus ou não, tendo feito aliança com Ele ou não. O fato é que, o pecado, é uma responsabilidade “a mais” de quem aposta na vida com Deus. Certamente, Deus “não vai cobrar” dos outros pelos pecados cometidos se esse não fez aliança com Ele; mas “cobrará” pelos erros cometidos que não deixou a vida fluir livremente por causa das ações praticadas conscientemente. Falando em certo sentido, entende? Porque Deus não nos cobra e nem sai por aí esfregando o dedo em nossa cara nos acusando pelo que deixamos de fazer; mas nós mesmo perante sua grandiosidade e Pessoa, o fazemos, porque, perante Ele não tem como deixarmos de sermos juízes de nós mesmos… mas, isso é outra história, artigo para uma outra conversa. O fato é que, o pecado existe, é uma realidade, mas uma realidade que advém dos que fizeram uma aliança com Deus, e por isso mesmo, pecam quando quebram essa aliança.

            E o que é o pecado? Poderíamos recitar textos e mais textos dos catecismos, apresentar conceitos teológicos, bíblicos, doutrinais, morais, religiosos, quase infindáveis para nominar, descrever e conceituar o pecado, mas ao invés disso, prefiro ficar com o trivial: quebra da aliança com Deus. Ou seja, aqueles que fizeram aliança com Deus pela fé, esses cometem pecado quando não vivem essa mesma aliança. E poderíamos perguntar: quando fizemos essa aliança com Deus? Quando no instante primeiro invocamos o Seu Nome sobre nossa vida e nos recomendamos à sua proteção e entendemos que Ele é o “Ato Primeiro e Único” fundante de toda Existência. Seja lá como o chamamos, o nominamos e o conceituamos. E aí, para os crentes, erros e pecados passam a ser duas realidades distintas que ora se encontram, ora se separam; mas que a seu modo cada um tem “uma carga” de responsabilidades “sobre bons e maus” crentes e não crentes.

            Pecados podem ser perdoados, corrigidos e compensados, sim, podem; é apostando nisso que se baseia a fé cristã da redenção e salvação trazida por Cristo quando da sua paixão e morte na cruz. E tal ato de salvação contempla o mundo todo em seu passado, presente e futuro de modo universal sem exclusão de nada e de ninguém. Até mesmo as outras religiões com seus fiéis em Cristo estão salvas, mesmo que não pensem assim. Pelo menos é o que faz supor a fé cristã.

            O pecado apesar de ser de ordem pessoal, tem respaldo e consequências na ordem social, moral, espiritual e temporal. Por isso todo pecado pessoal é de certo modo também social e coletivo. Ele interfere nessa ordem. Por isso que o pecado é algo mais sério que apenas um simples erro. E ao contrário do erro, ele não é uma escola, prisão ou janela como dissemos acima, mas algo grave que interfere na existência total de modo que só o perdão divino começando pelo perdão humano, pode desfaze-lo por completo assegurando vida e salvação. E para que isso possa acontecer, bem ensinou Jesus: “perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. O perdão divino começa ou passa de algum modo pela nossa iniciativa de perdoar, e vai mais longe: o perdão divino é curador, re-estabelecedor de ordem e salvação, mesmo que em vida na existência terrestre não vejamos “o milagre” por causa das leis universal estabelecidas, mas sim, foi dado o primeiro passo e o processo se iniciou, culminando no tempo escatológico.

Erros tem consertos, pecados tem perdão e ambos podem ser geradores de novas realidades onde a vida pode ser mais, bem mais do que antes, inclusive, ser refeita no que foi atingida, porém, numa outra realidade de ordem escatológica, cujo fé crer e aceita que existirá e acontecerá.

            Então, podemos parar por aqui, com algumas linhas para posterior reflexão:

  • Erro e pecado fazem parte da vida dos crentes e não crentes e que tem consequências para a vida pessoal e coletiva; bem como, para o destino de todos os seres desse pequeno grande universo ainda não desvendável;
  • Que erro e pecado são realidades distintas que ora estão juntos, ora estão separados e que ambos têm consequências reparáveis ou não, nesta vida, dependendo do seu grau de gravidade;
  • Que pecado apesar de interferir na vida pessoal e coletiva é um ato mais de quem crer e fez aliança com Deus, sendo algo “a mais” na vida dos crentes, mas do que na vida de um não crente que não se sente comprometido com a fé (e por isso mesmo, não espere de um não crente, por exemplo, que ele viva os 10 mandamentos; ou que tenha devoção a Nossa Senhora… seria pedir demais, para quem não aderiu a fé.);
  • Que erro e pecado podemos aprender com ele, sendo melhor do que fomos antes;
  • Que Deus não nos culpa e não nos condena, mas nós mesmos perante Sua Presença somos juízes de nós mesmos;
  • Que erro e pecado podem no tempo escatológico ser uma realidade desfeita – realidade essa, aliás, que já começou aqui com a presença de Jesus e sua morte redentora, para os que creem nessa possibilidade.

Enfim, erro e pecado são duas realidades que demostram o bem e o mal, a graça e a vida com sua fragilidade e grandeza, com sua pequenez e perenidade no coração da Existência.

            O que fica de lição? Não sei, cada um há de tirar suas conclusões. A vida, os livros, as mil e umas palestras assistidas resultaram nessas poucas linhas (que quase não termina mais…) que ainda está maturando, amadurecendo. É um testemunho? Talvez! É informação ou formação? Você quem decide. Só sei que o texto nasceu de uma manhã escutando dois casos de vida, e na calada da noite, as palavras vieram depois de muito confrontar, e questionar a própria fé. Bom proveito!

 

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Por quê rezamos?

imagesA vida é o que buscamos. Queremos viver. A felicidade é o termômetro que indica o quanto estamos vivendo e tendo uma qualidade de vida. Mas, que sentido damos à vida? Todos os dias do levantar ao deitar não fazemos outra coisa que não seja lutar para nos manter vivos, e isso implica tanto buscar a alimentação necessária à sobrevivência, quanto manter relações interpessoais com amigos, parentes, desconhecidos. Manter uma convivência social. Também viver é sonhar, ter utopias. Ter projeto de vida, sentido de vida. E talvez, o sentido da vida esteja justamente aí: nas utopias. Dedicamos muito do nosso tempo a “bobagens” enquanto o que importa de verdade para nossa própria edificação pessoal, social, espiritual e utópica fica sempre em último lugar ou em lugar nenhum. Gastamos muitas energias para viver e chega um dado momento que nos sentimos frustrados por tanto tempo e energias perdidas que quase desfalecemos por enveredar por novos caminhos e empreitadas. E isso sem contar os efeitos colaterais das consequências de um mal ou bom relacionamento e conflitos. E aí nos damos conta de rezar.

A oração como elemento primordial à nossa vida aparece naquele momento em que nos damos conta de que precisamos rezar, pelo simples fato de compreender que o mistério da vida e todos os seus condicionamentos são maiores do que nossas forças. Num momento de fragilidade, de desespero, de falta de esperanças, ou mesmo de euforia, de contentamento e vitória, rezamos. E essa oração sejam quais forem nossas crenças tem um efeito poderoso sobre nós mesmos, de modo que cria ritmo, costume e, quando nos damos conta, nos tornamos religiosos ou passamos a viver essa dimensão da vida que dão muitos nomes: devoção, piedade, espiritualidade, mística, religião, etc. Se já pertencemos a um grupo ou comunidade religiosa é bem provável que, pratiquemos sobre sua orientação, a tradição e ensinamento desse grupo ou comunidade, mas se não, apenas nos “classificamos” como uma pessoa de fé, temente a Deus, mas sem denominação alguma (isso é sintomático?!).

            Entretanto, rezamos, e os motivos são dos mais diversos: uma doença; um emprego; um conflito conjugal; a perda de um ente ou amigo/a querido/a; para passar numa prova ou num concurso; para poder possuir esse ou aquele objeto que trará satisfação e uma possível qualidade de vida e um bem-estar; para conquistar um amor ou requerer um amor perdido; para realizar um sonho que completará ou melhorar a qualidade de vida, etc. Porém, todos os motivos elencados e os não ditos ficam sempre na superfície ou nas margens, nunca vai ao âmago mais profundo do próprio Eu.

            Rezar não é só uma questão de relação custo e benefício (o que quero, o que preciso, a que tenho direito, o que devo dar em troca, o que preciso fazer), porque Deus (seja lá que nome lhe damos, ou dele fazemos uma ideia) não é um “mercador” e “realizador” de sonhos. Muito menos está obrigado (quem o obrigará? Por força de que ou de quem) a fazer todos os nossos “caprichos” de pessoas mimadas que sempre prefere o “mais fácil” em detrimento de algum “sacrifício” que precisamos fazer. Rezar não é um botão que a gente liga e desliga quando quer ou precisa. Tão pouco não é como uma vela que acesa se desgasta iluminando.

            Porque rezamos? Essa é uma pergunta que requer uma resposta muito pessoal, intima, de cada um. Cada um tem lá seus motivos, porém, há na natureza, na essência da própria oração um motivo que lhe dá sentido de ser: Deus. A oração é uma elevação natural da pessoa a Deus.   Rezamos não só por causa de nossas necessidades, mas sobretudo para manter relações de amor e comunhão com Deus – a Energia, a Essência da Vida, a Potência e Ato Primeiro e Eterno de tudo criado e existente. Rezamos porque em Deus “Existimos, Somos e Estamos” e por isso mesmo só n’Ele nos completamos a nós mesmos. Eis o sentido e o significado mais profundo da oração, do ato de rezar.

            E nesse sentido, rezar está muito além da materialidade, transcende o “ser e o tempo” de modo que os efeitos da mesma sobre nós mesmos (ser finito, material, limitado no tempo e no espaço) é por demais gratificante, restaurador, energia vital benfazeja, estimuladora de vida, de sonhos e utopias. Rezar, pois, é uma necessidade da alma. Mesmo dos que não tem fé ou religião, ou mesmo são a-religiosos por algum motivo. Até mesmo o que se declara ateu, reza. Porque a reza não é só “orações” formuladas (textos prontos criados por alguém), ou mesmo um pensamento e um olhar deslumbrante. É algo mais… é um grito da alma, da nossa interioridade. É um canto, uma poesia, um contemplar algo ou alguém, um silêncio escutante, um respirar sossegadamente, um amar delirante, um envolve-se profundamente, um deixa-se tocar na alma, um banhar de lágrimas e um repouso suave e gentilmente. Rezar como exprimia o Mahatma Gandhi, é uma potência mais poderosa de que a própria bomba atômica, pois move céus e terra numa dança em que nos descobrimos pequenos e caímos por terra em nos dá conta da grandeza imensa da divindade que, segundo a tradição cristã, se fez pequeno, frágil e humano, no presépio de Belém – e se chamou Yeshuah – aquele que É Salvação. Ou seja, dependendo da tradução: Aquele que é Vida, Saúde.

            Deus não precisa de nossas orações, somos nós que precisamos dela. Haja vista os tantos motivos que nos leva a rezar; porém, Deus é carente de nós. Em sua essência não necessita de nós, mas em sua natureza somos dele mesmo o seu melhor objeto de amor. Daí porque rezamos: Deus e Eu, Eu e Deus. Tudo é uma questão de relação. Relação que se dá por amor, no amor, com amor, para o amor. Deus não sabe não amar. Esse é seu defeito único. E nós não sabemos viver sem amor, essa é nossa fraqueza. Em certo sentido um completa o outro e vice-versa.  Mesmo que o neguemos. Mesmo que passemos toda nossa vida sem Ele ou a Ele nos referir, Ele sempre estará junto a nós, ao nosso lado, conosco…. Porque sabe que em algum momento o encontro se dará tão certo quanto às ciências exatas, ou a incerteza das ciências humanas. O encontro é inevitável, e a oração antecipa por assim dizer, o encontro.

            Rezamos porque amamos. A oração é um caminho para Deus que por sua vez nos faz com que encontremos com o nosso Eu mais profundo. Rezemos, pois, a oração se não faz mal bem há de sempre fazer.

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Curtir

            feedbackCurtir é gostar de algo ou alguém. Significa que em linhas gerais você compactua, se compromete, concorda, aceita algo ou alguém. Na internet é comum, especialmente nas redes sociais, as pessoas curtir aquilo que se publica, isto é, uma resenha, um pensamento, uma charge, uma foto, um desenho, uma música ou alguma situação anedótica, bizarra e/ou cômica. Até ai tudo bem!

            O problema começa e aqui é disso que falo, quando, passamos a “curtir” ideias e coisas que, nem se quer lemos ou nos damos conta do seu significado, objetivo e consequências. Muitas vezes por conhecer o autor de tal e tal coisa curtimos sem sequer tomar conhecimento do que se trata. E até muitas vezes o autor espera um comentário, uma manifestação que crie feedback, uma interação que resulte em algo a mais…mas, só aparece o “curtir”!!!???!

            Interessante é “curtir”, mas também, deixar registrado seu pensamento, sua opinião, uma vez que o autor expressou sua opinião e gostaria de ver outras comentando, compartilhando, debatendo, interagindo, até porque, isso cria um diálogo rico de ideias que pode levar a outras ideias e formas de agir e interagir. Não achas? Mas isso acontece muito pouco comparado ao curtir. Por isso, levanto essa questão para nossa reflexão!

            É questão de respeito, de aprendizado, de valorização, e faz parte do processo da comunicação haver um feedback entre os interlocutores. Isto é, que haja uma reciprocidade no processo de comunicação seja ela oral, escrita ou visual. Quando expressamos de alguma forma e por diversos meios nossa opinião desejamos que outros a expresse também, criando uma cultura do diálogo, caso contrário, não há comunicação. Por isso, é importante curtir, faz parte do processo, mas, sobretudo, comentar, compartilhar também, principalmente comentar, pois, o ser humano tem como característica fundamental constituída em seu ser, a palavra. A palavra funda a comunicação e pode mudar para melhor ou para pior o mundo. Ela é a primeira forma de ação, o pensamento expresso em som, imagem, vídeo, etc. E você? Não curte ler, refletir, curtir, e passar a mensagem, uma ideia adiante? Que tal? Vamos valorizar também outras formas de comunicação, entre elas a escrita, comente, comente bastante, pois só assim, podemos criar uma rede feedback de comunicação genuína e não meramente repetidores de coisas e coisas, sem saber o que está curtindo ou compartilhando.

            Curta essa ideia!!! Comente!!! Compartilhe!!! Comente!!!

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Liberdade: maturidade. Eleições 2014

            urnaMais uma vez fomos às urnas. Estamos preparados? Como, pelo andar da carruagem, fica a configuração política depois do que vemos nas urnas? Como anda a cabeça do brasileiro?

            As eleições deste ano 2014, entre outras coisas, deixou um recado nítido: o povo quer mudanças. Ao mesmo tempo também outorgou a continuidade de um projeto de Brasil em curso, pois entendeu que não é qualquer mudança, de qualquer jeito e de forma irresponsável.

            Nas entrelinhas podemos perceber que estamos amadurecendo a passos lentos, mas amadurecendo. Hoje na democracia onde a liberdade é sua expressão máxima, o voto é obrigatório e é obrigatório porque estamos aprendendo a ter responsabilidades e arcar com suas consequências. Isso não nasce da noite pro dia. É um exercício de aprendizado que precisa ser estimulado, incentivado mesmo a contragosto.

Voto obrigatório quando a democracia prima pela liberdade? É preciso ser assim! Até que todos se apercebam do significado, da profundidade desse ato e das consequências que muitas vezes não tem volta. Mesmo que votemos errados, mas é preciso votar. Daí a obrigatoriedade do voto dentro da democracia. Enquanto não entendermos isso é preciso sua obrigatoriedade.

Façamos uma comparação. É como uma mãe que tendo um filho lhe educa para exercer a liberdade com responsabilidade, mas diante de uma tal situação, esse por uma vontade “sem vontade” não assume o que deveria assumir e ai coloca a todos em risco. Diante dessa situação então a mãe toma uma medida enérgica legal que leve seu filho a executar sua liberdade, de modo que cumpra com suas responsabilidades. Mesmo que tal atitude custe seu futuro, mas ele tem que tomar uma atitude, pois é um caminho sem volta e que é preciso fazê-lo, e só ele pode fazê-lo. Desse modo a atitude da mãe é algo essencial mesmo que o filho não veja e não compreenda assim. Ela sabe que agindo assim, ele com o tempo a madurecerá e caminhará com pernas próprias e será agradecido, porque compreende pelo processo que passou, o que tem e o que sabe que tem que fazer. Eis a justificativa do voto obrigatório dentro do processo livre democrático.

            Muito bem, para que haja o voto “livre” “democrático” e “consciente” total e completo do brasileiro vai ainda acontecer muitas e muitas eleições e aprendizados, principalmente das gerações mais jovens. No geral, grande parte da população já compreendeu isso, mas é preciso ainda insistir nessa obrigatoriedade.

            Mas… olhando para as eleições de hoje, atual, o que ela nos mostra? Primeiramente é notório o sentido de mudanças. Mas não qualquer mudança, de qualquer jeito e irresponsável. Nisso, parece que o brasileiro deu sinais claro de maturidade. Sua cabeça pesou, analisou, refletiu e não engoliu qualquer coisa, qualquer discurso barato e sem fundamento. O exercício da liberdade através do voto acordou, pelo menos nesta questão, a maturidade adormecida que jazia em berço esplendido.

            O partido da situação ganhou as eleições, e recebeu um recado claro das urnas: precisa corrigir sua postura, sua visão, sua forma de lhe dá com os bens públicos, com a moral ética e vários outros temas.

            O brasileiro também deixou um recado para a oposição: não são melhores e nem piores que o da situação. Que enquanto eleitores, não damos saltos no escuro irresponsavelmente; e que não queremos mudança só por mudar. Estamos um pouco mais maduros!

            Podemos nos enganar, mas não por muito tempo! E isso é um indicador de que estamos amadurecendo. A liberdade enfim, compreendeu que para amadurecer e ser plena precisa prescindir da democracia; e a necessidade enxerga bem mais longe que palavras e gestos vazios que pensado nos envolver, escamoteia um falso futuro. Não trocamos o certo pelo duvidoso, mas quando for preciso, saberemos dar um passo adiante.

            Enfim, a sorte está lançada, o brasileiro a escolheu! O resto é consequência dessa escolha que livre e democraticamente exercitou com maturidade ainda que não seja de fato plena e verdadeiramente livre, pelo menos é madura e consciente. Viva o povo brasileiro, viva a democracia, e Deus nos ilumine frente ao futuro, porque esse só nós podemos fazê-lo, e damos hoje, mais um passo.

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Copa 2014

imagem da internet

Após muito bafafá começa a copa 2014. Turistas do mundo todo estão em nossa casa. É obrigação recebe-los bem. A festa já começou. Por um só momento, o mundo se encontra ao redor de uma bola, em nossa casa que traz “paz”, fraternidade, comunhão, congraçamento, boas relações e cordialidades. Enfim, a copa começou! São dias de festa, de torcida, de musica, danças, de alegria… coisa bem legal que só brasileiro sabe como fazer.

Se assim é, por outro lado, não podemos nos furtar de dizer o que está nos bastidores dessa copa: sangue, suor, injustiças, surdez dos governantes e empresários, miopia do sistema, alienação do povo, obras superfaturadas, corrupção, saúde sucateada, direitos ignorados, segurança que não dá segurança, violência se alastrando… E a economia, a política, a educação? Bastidores á parte, como justificar o injustificável?

Em função da copa, para-tudo. Um dia ou meio dia sem conteúdo nenhum ou algo que o possa justiçar, fica perdido, para que brasileiros e visitantes possam se entregar a euforia, a insanidade coletiva corroída pela bebida, pelos sentimentos desordenado, pelo sexo sem freio e irresponsável, tendo como pretexto as beneficies de 90 minutos num campo sob tensão, sentimentos contidos prontos a explodir exaustivamente mediante o insurdino grito de “goooool”.

Para isso rios de dinheiro foram gastos, ou melhor dizendo, investidos, para que o lucro se avolumasse de modo vil e imoral, mas bem quisto aos olhos de todos, inclusive do povo dos pobres.

Que poder é esse, que atração e fascínio são esses que toma pessoas e países de modo tal que a vida pára, que o cotidiano se modifica, e que de repente a tudo se lhe submete? Chega a ser demoníaco se não fosse tragicamente cômico e lucrativo. E quem ganha? E que perde? Certamente não são os ricos a perder e nem os pobres a ganhar.

No país do carnaval, do futebol, da “mulher” brasileira, e do “jeitinho brasileiro” fazer copa do mundo, é no mínimo indecentemente, imoralmente correto, bom para todos… E não há porque e nem de que, reclamar.

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